Tecnologia além do código.
Régys Borges da Silveira
← Voltar para explorar os artigos

Back-end Delphi: o novo livro de Vinicius Sanchez

Ilustração conceitual de um livro aberto, uma placa com o emblema Horse, uma miniatura de teatro e ingressos, relacionando estudo e desenvolvimento de uma plataforma de eventos.
Neste artigo 9 tópicos

É uma satisfação compartilhar o lançamento de um livro escrito por um amigo. Vinicius Sanchez é o autor de Back-end Delphi: Microsserviços com Horse, Docker e Kubernetes, uma obra que se propõe a acompanhar o desenvolvedor desde a criação das primeiras rotas HTTP até a execução de uma plataforma de serviços em Kubernetes. A amizade é uma razão pessoal para trazer essa notícia ao blog; o assunto do livro é o que torna a conversa relevante para quem trabalha com Delphi.

A pergunta que orienta esta apresentação é prática: o que esse percurso pode oferecer a quem já conhece a linguagem e deseja construir aplicações que atendam a outros sistemas? Para respondê-la, vou apresentar a proposta, o projeto usado como fio condutor, os requisitos de estudo e alguns critérios para avaliar se o conteúdo corresponde à sua necessidade.

Esta apresentação se baseia na página oficial do livro e nos materiais públicos de apoio. Não é uma resenha resultante da leitura integral da obra. Essa distinção permite celebrar o lançamento e deixar claro ao leitor o alcance desta análise.

Um lançamento voltado a quem já programa em Delphi

Segundo a página de apresentação, o livro é impresso, em português, possui 549 páginas e está organizado em 23 capítulos, distribuídos em cinco partes, além da abertura. A proposta parte do conhecimento de Delphi e introduz os assuntos de back-end ao longo do desenvolvimento. O ponto de partida esperado é o de quem já lida com unidades de código, formulários e acesso a dados, e quer ampliar esse repertório. Essas características estão na apresentação da obra e em seu sumário.

Back-end é a parte da aplicação responsável por processar solicitações, aplicar regras e trabalhar com os dados que sustentam uma operação. Uma API, sigla de interface de programação de aplicações, estabelece como outros programas podem solicitar essas operações. No contexto do livro, esse acesso acontece por HTTP, o protocolo também utilizado na comunicação da web.

Para situar a proposta, imagine um sistema de gestão que precisa disponibilizar uma consulta para um portal ou um aplicativo. Antes de escolher uma biblioteca, vale identificar quais informações serão expostas, quem poderá acessá-las e quais regras devem continuar sob responsabilidade do sistema. Esse exercício ajuda a transformar a vontade de criar uma API em um problema de software com limites compreensíveis.

O interesse que vejo no tema do livro está nessa passagem: aproveitar o conhecimento da linguagem para estudar outra forma de organizar e entregar funcionalidades. Isso exige aprender conceitos novos, mesmo quando a sintaxe permanece familiar. Conhecer Object Pascal facilita a leitura do código, mas as decisões sobre comunicação, falhas e implantação merecem estudo próprio.

Uma plataforma de ingressos como fio condutor

O projeto apresentado pelo autor é uma plataforma de venda de ingressos para eventos. A página descreve três serviços, dedicados a eventos, participantes e ingressos, cada um com seu banco PostgreSQL, além de um gateway, a porta de entrada das requisições. Essa composição está representada no diagrama oficial da plataforma.

A escolha do domínio ajuda a formular perguntas concretas. Onde ficam as informações de um evento? Como uma compra se relaciona ao participante? O que acontece quando uma solicitação depende de outro serviço? São perguntas que o leitor pode manter em mente enquanto acompanha a evolução do projeto, relacionando cada nova peça à responsabilidade que ela assume.

Minha leitura da proposta é que um exemplo contínuo oferece uma oportunidade didática interessante: observar como uma decisão reaparece em etapas posteriores. Uma regra de venda não termina na resposta de uma rota. Ela precisa fazer sentido diante de acessos simultâneos, erros e mudanças na quantidade de instâncias em execução. O valor desse percurso deve ser avaliado justamente pela clareza dessas relações.

Percurso de estudo apresentado no livro: fundamentos, construção dos serviços, integração e segurança, operação e evolução do legado.

Síntese editorial do percurso, elaborada a partir do sumário disponível na página oficial do livro. Os tópicos de cada etapa são exemplos, não a reprodução integral dos capítulos.

O problema de vender o mesmo ingresso duas vezes

Um dos exemplos divulgados na página trata do controle de estoque de ingressos. O trecho apresenta uma atualização no banco que combina o aumento da quantidade vendida com uma condição que impede ultrapassar a quantidade disponível. É uma boa escolha para introduzir concorrência: a situação em que operações acontecem ao mesmo tempo e disputam o acesso a um recurso. O exemplo pode ser consultado na página do livro, na seção sobre o capítulo 8.

Para entender a dificuldade, considere um cenário hipotético com um único ingresso restante. Duas solicitações consultam o saldo antes que qualquer venda seja concluída. Se ambas decidirem prosseguir apenas com base nessa leitura, a verificação inicial não garante que a regra continue válida no momento da atualização. O exemplo ilustra por que testar compras uma a uma não demonstra, por si só, o comportamento diante de compras simultâneas.

Na documentação do PostgreSQL, a seção sobre isolamento de transações explica que, no nível de isolamento de leitura confirmada, uma atualização concorrente pode aguardar a transação anterior e reavaliar sua condição sobre a versão atualizada da linha. Esse comportamento ajuda a compreender o princípio do trecho divulgado, mas não substitui a análise da transação inteira, de suas validações e do tratamento das respostas. A descrição está na documentação oficial sobre isolamento de transações.

O aprendizado que esse caso sugere vai além do domínio de eventos. Ao estudar uma solução, procure identificar qual regra precisa ser preservada e onde ela é efetivamente garantida. A presença de uma condição no código da aplicação e a preservação dessa condição sob concorrência são questões que precisam ser examinadas em conjunto.

Do Horse à operação da aplicação

O Horse é o framework usado no percurso. Seu repositório oficial o apresenta como uma ferramenta para desenvolver aplicações web em Delphi e Lazarus, com uma abordagem minimalista. Para quem ainda não o conhece, uma rota associa um método e um endereço HTTP ao código que atenderá à solicitação. Essa é uma das bases para compreender os primeiros exemplos. Consulte a documentação do projeto Horse.

O sumário do livro amplia gradualmente esse início: inclui acesso a dados, validação, documentação da API, comunicação entre serviços, autenticação, configuração e testes, antes de chegar aos capítulos sobre Linux, Docker, Kubernetes e observabilidade. Essa sequência é verificável na organização dos capítulos publicada pelo autor.

Observabilidade é a capacidade de investigar o comportamento de uma aplicação a partir dos sinais que ela produz, como registros de eventos e métricas. Para quem quiser um complemento prático sobre esse assunto, publiquei um tutorial de monitoramento de APIs Horse com Prometheus e Grafana, com um laboratório e verificações intermediárias.

Também vale preservar uma distinção ao ler sobre Kubernetes. A documentação oficial o descreve como uma plataforma para gerenciar aplicações conteinerizadas, com recursos para implantação e escalonamento. Ela esclarece, porém, que a ferramenta não fornece por si só todas as soluções de banco, registro e monitoramento necessárias a cada aplicação. Estudar sua utilização deve incluir entender essas responsabilidades, conforme a visão geral do Kubernetes.

Não tomaria a presença dessas ferramentas no livro como uma recomendação para adotá-las em qualquer sistema. Como critério de decisão, sugiro perguntar qual dificuldade cada uma resolve no seu projeto, quem cuidará da operação e como a equipe investigará uma falha. O estudo ganha utilidade quando permite responder a essas perguntas, inclusive para escolher um caminho mais simples.

O que o material público permite conferir

O livro possui um repositório público com projetos organizados por capítulo e roteiros de teste. O código é distribuído sob licença MIT, enquanto o texto da obra tem direitos reservados. O arquivo de licença exige preservar o aviso de direitos autorais e a permissão nas cópias ou partes substanciais do software. As condições estão no repositório do livro e em seu arquivo de licença.

Essa disponibilidade permite examinar a estrutura dos exemplos e comparar etapas do projeto. Para o leitor, uma forma útil de estudar é registrar uma dúvida antes de abrir o código, localizar a implementação correspondente e verificar se consegue explicar sua responsabilidade. Consultar uma solução pronta deve ajudar a reconstruir o raciocínio, além de resolver uma dificuldade pontual de compilação.

A página informa que o código foi compilado e executado durante a escrita. Registro essa declaração como informação do autor: os exemplos do livro não foram executados para preparar este artigo. Da mesma forma, os números de testes divulgados na apresentação devem ser entendidos no contexto informado, sem transformá-los em promessa de desempenho para outro ambiente.

Para quem o percurso pode fazer sentido

Pelo escopo anunciado, vejo afinidade com quem já trabalha em Delphi e deseja construir sua primeira API, organizar melhor um serviço existente ou compreender as etapas entre desenvolvimento e operação. Para um iniciante na linguagem, o ponto de partida pode ser exigente: a própria apresentação esclarece que a obra não é um curso de Delphi.

Antes de planejar o estudo, confira os requisitos. O repositório indica Delphi 13 Florence, Boss para gerenciar dependências e Docker Desktop. Para a compilação Linux, a partir do capítulo 17, informa a necessidade das edições Enterprise ou Architect. A página também orienta verificar os recursos de FireDAC disponíveis na edição utilizada. Confira os pré-requisitos do material de apoio e as perguntas frequentes da apresentação.

Sugiro avaliar o livro com três perguntas: qual problema quero aprender a resolver, consigo preparar o ambiente necessário e tenho disponibilidade para acompanhar a evolução de um projeto? As respostas ajudam a distinguir uma leitura de consulta de um percurso de estudo. Também evitam escolher uma obra apenas pela presença de nomes de ferramentas no subtítulo.

Para ampliar o contexto da escolha de ferramentas, o artigo sobre as diferenças entre Horse e DEXT apresenta outra discussão do blog. Ele pode servir como leitura complementar para formular perguntas sobre o papel do framework na arquitetura, sem substituir a documentação de cada projeto.

A relação com os sistemas que já existem

Um ponto que merece atenção é o capítulo sobre migração gradual de sistemas legados, listado no sumário. Sua presença aproxima a proposta de uma pergunta pertinente ao desenvolvimento empresarial: como estudar outra arquitetura sem pressupor que todo o sistema existente será descartado? O tema anunciado é a evolução aos poucos, conforme o sumário oficial.

Como exercício de aplicação, escolha uma funcionalidade pequena do sistema que você mantém e descreva suas entradas, saídas, dependências e regras. Depois, identifique o que precisaria ser verificado antes de disponibilizá-la para outro programa. Não é necessário iniciar uma migração para fazer esse levantamento; ele já ajuda a relacionar os assuntos do livro a uma necessidade concreta.

Conclusão

Fico contente em compartilhar este lançamento do meu amigo Vinicius Sanchez. A proposta de acompanhar uma plataforma de ingressos, conectando código, dados e operação, oferece um assunto pertinente para quem deseja ampliar sua atuação com Delphi. A análise dos materiais públicos permite conhecer esse percurso; avaliar a execução didática completa exige a leitura da obra.

Minha sugestão é começar pelo sumário e pelos requisitos, relacionando os temas a um problema que você deseja compreender melhor. A página oficial de Back-end Delphi reúne a apresentação e o acesso à compra na UICLAP. O principal critério para o leitor é a correspondência entre a proposta do livro e o próximo passo que pretende dar no desenvolvimento de seus sistemas.

Referências

HASHLOAD. Horse. GitHub, [s. d.]. Disponível em: https://github.com/HashLoad/horse. Acesso em: 27 out. 2026.

KUBERNETES. Visão geral. Kubernetes, [s. d.]. Disponível em: https://kubernetes.io/pt-br/docs/concepts/overview/. Acesso em: 27 out. 2026.

POSTGRESQL GLOBAL DEVELOPMENT GROUP. 13.2. Transaction Isolation. PostgreSQL 18 Documentation, [s. d.]. Disponível em: https://www.postgresql.org/docs/18/transaction-iso.html. Acesso em: 27 out. 2026.

SANCHEZ, Vinicius. Back-end Delphi: Microsserviços com Horse, Docker e Kubernetes. GitHub Pages, [s. d.]. Disponível em: https://viniciussanchez.github.io/livro-backend-delphi/. Acesso em: 27 out. 2026.

SANCHEZ, Vinicius. livro-backend-delphi: código-fonte do livro. GitHub, [s. d.]. Disponível em: https://github.com/viniciussanchez/livro-backend-delphi. Acesso em: 27 out. 2026.

SANCHEZ, Vinicius. MIT License. GitHub, 2026. Disponível em: https://github.com/viniciussanchez/livro-backend-delphi/blob/main/LICENSE. Acesso em: 27 out. 2026.

SILVEIRA, Régys Borges da. Horse e DEXT: Entenda as diferenças e saiba quando utilizar cada framework no Delphi. Régys Borges da Silveira, 14 jul. 2026. Disponível em: https://regys.com.br/horse-e-dext-entenda-as-diferencas-e-saiba-quando-utilizar-cada-framework-no-delphi/. Acesso em: 27 out. 2026.

SILVEIRA, Régys Borges da. Horse, Prometheus e Grafana: passo a passo para monitorar sua API Delphi. Régys Borges da Silveira, 4 out. 2026. Disponível em: https://regys.com.br/horse-prometheus-e-grafana-passo-a-passo-para-monitorar-sua-api-delphi/. Acesso em: 27 out. 2026.

Capa do livro Delphi Vivo

Delphi Vivo

Modernização de sistemas Delphi com evolução gradual e critério técnico.

Conhecer o livro →
Compartilhar por e-mail

0 comentário(s)

Dê-nos sua opinião, seu comentário ajuda o site a crescer e melhorar a qualidade dos artigos.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Um próximo passo para cada interesse.

Continue estudando com os livros, acompanhe as videoaulas ou consulte as soluções para o seu projeto.

Descubra mais sobre Régys Borges da Silveira

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo