Desde o ultimo artigo, publicado na versao 2.3.0, o RadIA deixou de ser apenas uma plataforma com contexto compactado e avancou para uma experiencia agentiva mais completa dentro do Delphi. A sequencia 2.3.1 ate 2.6.2 trouxe rotas de execucao mais claras, ChatGPT Pro via Codex CLI, terminal de alta fidelidade, publicacao de skills para CLIs, criacao de projetos por prompt, validacao com build, debugger e DUnitX, alem de correcoes importantes de usabilidade e instalacao.
No artigo da versao 2.3.0, o foco principal foi o RTK interno do RadIA: uma camada para reduzir o volume de resultados enviados ao modelo sem perder a evidencia original. Aquela entrega tratava um problema essencial para agentes de IA: contexto nao e infinito, e um runtime serio precisa saber o que deve lembrar, o que pode resumir e o que precisa preservar integralmente.
De la para ca, o RadIA evoluiu em outra direcao igualmente importante: transformar essa base agentiva em uma experiencia mais pratica, mais visivel e mais proxima do trabalho diario no Delphi.
Entre as versoes 2.3.1 e 2.6.2, o projeto avancou em cinco frentes:
- execucao mais clara entre chat, agente, CLI e MCP;
- terminal e CLIs externos mais bem integrados;
- portabilidade de skills e extensoes;
- criacao de projetos Delphi por linguagem natural;
- estabilidade e usabilidade para testes reais no Delphi 12 e 13.
O resultado e um RadIA menos dependente de explicacao previa. O usuario pode conversar, pedir uma acao, criar um projeto, aprovar um plano, ver a IDE trabalhar, acompanhar build, testes e debugger, e conferir a versao instalada nas proprias janelas.
Rotas explicitas: chat, agente, CLI e MCP sem ambiguidade
Uma das mudancas mais importantes depois da 2.3.0 foi a separacao visual e operacional entre Mode e Send with.
Antes, era facil confundir tres conceitos diferentes:
- o provider escolhido para responder;
- o modo Chat ou Agent;
- o executor que realmente conduz a solicitacao.
A partir da 2.3.1, o RadIA passou a tratar essas escolhas como responsabilidades separadas. O modo define se a conversa e apenas textual ou se existe execucao agentiva. O executor define se a orquestracao acontece no RadIA nativo ou se o objetivo inteiro e delegado a um CLI externo. O MCP continua sendo uma ponte independente de ferramentas.
Essa separacao parece pequena na interface, mas muda bastante o diagnostico. Quando algo falha, o usuario consegue enxergar qual rota esta ativa, qual transporte esta sendo usado e qual credencial esta envolvida.
Isso tambem resolveu um ponto sensivel: ChatGPT Pro via Codex CLI.
O RadIA voltou a usar a sessao autenticada do Codex CLI como transporte para a conta ChatGPT/Codex, sem misturar essa rota com a OpenAI API por chave. Na pratica:
- OpenAI API via API Key continua usando a plataforma API e sua propria cobranca;
- ChatGPT Pro via Codex CLI usa a sessao do Codex CLI e a cota da conta;
- Codex CLI direct delega a execucao inteira ao cliente externo;
- RadIA native pode manter a orquestracao dentro do plugin e usar o CLI apenas como transporte.
Esse desenho reduziu confusao, evitou fallbacks silenciosos e tornou o suporte muito mais objetivo.
Mais visibilidade: copiar, diagnosticar e entender o que esta acontecendo
A serie 2.3.1 tambem melhorou detalhes que fazem diferenca no uso diario.
Respostas, JSON, resultados de tools e outros payloads textuais passaram a ter acoes de copia preservando o conteudo original. Parece uma melhoria simples, mas em uma ferramenta de programacao isso vira parte do fluxo: copiar um erro, um resultado de diagnostico ou um trecho estruturado sem perder formatacao economiza atrito.
O RadIA tambem fortaleceu os diagnosticos de instalacao e execucao. O usuario consegue diferenciar:
- provider configurado;
- CLI detectado;
- autenticacao pronta ou pendente;
- MCP configurado ou ausente;
- rota efetiva usada no envio;
- ferramentas disponiveis na instancia atual da IDE.
Esse cuidado apareceu novamente nas versoes seguintes, especialmente nas telas de configuracao, doctor, status e mensagens de preflight do chat.
Terminal integrado e CLIs externos com menos atrito
A versao 2.4.0 foi uma das maiores evolucoes desde a 2.3.0.
O terminal integrado deixou de ser apenas uma area de saida e passou a se aproximar do comportamento esperado por ferramentas modernas de linha de comando. O RadIA separou transporte ConPTY, emulacao VT e renderer VCL por contratos proprios, preservando:
- cores ANSI, 256 cores e true color;
- atributos como negrito, italico, sublinhado e video inverso;
- alternate screen;
- bracketed paste;
- mouse SGR;
- hyperlinks OSC 8 com consentimento.
Isso importa porque CLIs modernos nao produzem apenas texto linear. Eles usam cores, estados, atalhos, telas alternativas, barras, menus e links. Quanto mais fiel o terminal, menor a chance de uma ferramenta externa parecer quebrada dentro da IDE.
O RadIA tambem passou a tratar melhor o caso de maquinas sem CLI instalado. Em vez de simplesmente falhar, o chat preserva a mensagem, explica o problema e direciona o usuario para configuracao, doctor ou selecao manual de executavel portatil. A ideia e nao transformar npm, Node.js ou qualquer gerenciador especifico em dependencia obrigatoria para todo mundo.
Skills portaveis: uma definicao, varios destinos
Outra entrega forte da 2.4.0 foi a publicacao de skills para diferentes CLIs.
Uma skill definida no RadIA pode ser publicada para:
- Codex;
- Claude Code;
- Gemini CLI;
- GitHub Copilot CLI.
O Addon Studio mostra preview antes de escrever, informa destinos, criacao, atualizacao, ausencia de mudanca e conflitos. A escrita usa consentimento central, troca atomica, rollback e hashes de propriedade.
Esse ultimo ponto e importante: se uma replica publicada para um CLI foi alterada manualmente, o RadIA nao deve sobrescrever nem remover silenciosamente. A ferramenta precisa respeitar o trabalho do usuario.
Na pratica, isso aproxima o RadIA de uma camada de organizacao de conhecimento e automacoes. Em vez de escrever instrucoes semelhantes em varios formatos manualmente, o desenvolvedor pode manter uma definicao canonica e publicar para os ambientes que usa.
Correcoes de estabilidade: Settings, layout e Codex atualizado
As versoes 2.4.1 e 2.4.2 foram releases de refinamento, mas resolveram problemas importantes.
A 2.4.1 corrigiu uma falha EResNotFound ao abrir Settings no Delphi 13. O problema estava relacionado a um recurso VCL obrigatorio do frame de configuracao dos servidores MCP externos. A correcao veio acompanhada de teste de regressao para impedir que frames programaticos sejam publicados sem seu DFM.
A 2.4.2 atacou dois pontos de experiencia:
- o compositor do chat em paineis estreitos;
- mensagens de erro quando o Codex CLI estava antigo demais para modelos atuais.
O chat ficou mais responsivo em paineis acoplados estreitos, mantendo seletores e botao de envio acessiveis. O erro bruto do Codex passou a virar uma orientacao acionavel: atualizar o canal, selecionar executavel mais recente, rodar diagnostico e recarregar modelos.
Tambem ficou mais claro que RadIA native + ChatGPT Pro via Codex CLI continua usando o Codex CLI como transporte da conta Pro, mesmo quando a orquestracao permanece dentro do RadIA.
A versao 2.5.0 reorganizou o chat para trabalho real
Na 2.5.0, o foco voltou para a experiencia do chat.
O compositor foi reorganizado em duas linhas semanticas:
- uma linha para execucao;
- outra para contexto da conversa.
As opcoes avancadas de executor, sessao, jornada e escopo ficaram atras de More, reduzindo ruido visual sem remover poder. O cartao de aprovacao do plano passou a permanecer como ultimo conteudo visivel, evitando que uma resposta duplicada escondesse o botao Approve plan.
Tambem ficou mais explicito, no README e no /help, quando usar:
- Chat + RadIA native;
- Agent + RadIA native;
- Chat + CLI externo;
- Agent + CLI externo;
- MCP.
Essa clareza e essencial porque o RadIA ja nao e apenas um chat. Ele e uma camada de execucao com ferramentas reais da IDE, e ferramentas reais exigem consentimento, limites e entendimento da rota.
Criacao de projetos por linguagem natural
A 2.5.0 tambem preparou uma das capacidades mais visiveis do ciclo: reconhecer pedidos naturais de criacao de projetos.
O usuario nao precisa saber previamente o comando /journey create. Quando nao ha projeto aberto, frases como:
crie uma calculadora VCL em D:\Projetos\Calculadora
podem ser convertidas automaticamente em uma jornada de criacao.
O RadIA extrai caminhos Windows absolutos, infere nome e destino, usa Win32 quando a plataforma nao foi informada e pergunta somente os dados realmente ausentes. O fluxo muda para execucao nativa, apresenta plano, pede aprovacao e usa as ferramentas da IDE para criar, abrir, compilar, executar e validar o resultado.
Esse ponto e importante: a criacao nao e apenas “gerar arquivos”. O objetivo e criar um projeto Delphi verificavel.
RadIA 2.6.0: a calculadora como cenario de aceite completo
A versao 2.6.0 fechou o ciclo iniciado na 2.5.0.
O cenario de aceite cria uma calculadora VCL sem projeto aberto, preserva destino, nome e plataforma, solicita aprovacao antes de alterar arquivos, abre e compila o projeto, executa testes DUnitX e valida a interface sob o debugger da IDE.
O que foi entregue:
- template deterministico de calculadora VCL;
- logica isolada em unit propria;
- projeto DUnitX companion gerado junto da aplicacao;
- cinco testes para soma, subtracao, multiplicacao, divisao e divisao por zero;
- build da aplicacao e dos testes pela integracao com a IDE;
- execucao dos testes gerados por
RunDUnitXTests; - sessao de debugger correlacionada;
- descoberta segura da janela e de 18 controles da calculadora;
- teste funcional que executa
2 + 3 =e confirma5no visor.
Esse e um marco arquitetural. O RadIA passa a demonstrar uma jornada completa:
- entender uma intencao em linguagem natural;
- transformar em plano;
- pedir consentimento;
- criar arquivos;
- abrir o projeto;
- compilar;
- depurar;
- testar;
- apresentar evidencia.
Nao e apenas uma resposta bonita. E uma execucao dentro da IDE.
2.6.1: ajustes no provider Claude
A 2.6.1 foi uma release patch focada no provider Anthropic Claude.
Ela removeu parametros de amostragem incompatveis com modelos Claude 5, especialmente temperature, e alinhou a tela de configuracao ao comportamento real da API.
O campo Temperature na aba Claude passou a aparecer desabilitado como valor local legado, e a documentacao passou a explicar que Claude 5 nao recebe temperature, top_p ou top_k nesse fluxo.
Esse tipo de ajuste e menos chamativo do que criar uma calculadora inteira, mas e decisivo para uma ferramenta multi-provider. Cada provider tem contratos proprios, e fingir que todos aceitam os mesmos parametros costuma gerar erros confusos para o usuario.
2.6.2: polimento para teste real no Delphi 12 e 13
A versao 2.6.2 consolidou varios problemas encontrados em testes reais.
O menu contextual do editor voltou a exibir as acoes do RadIA no topo, sem depender da ordem de inicializacao de menus de terceiros. Isso evita uma regressao incômoda: quando o menu some, parece que a funcionalidade inteira deixou de existir.
Os prompts enviados pelo menu do editor passaram a preservar blocos fenced Markdown com realce Pascal. Assim, uma acao como explicar ou revisar codigo nao chega ao chat como texto achatado e dificil de ler.
As listas e seletores longos do chat ganharam scrollbars visiveis e mais largas. A roda do mouse funcionava, mas usuarios com mouse sem roda ou com acessibilidade diferente precisavam de uma area clicavel melhor.
As janelas principais passaram a mostrar a versao no caption, por exemplo:
Rad IA Chat v2.6.2
Isso facilita suporte. Em vez de perguntar qual BPL esta instalada ou se a IDE carregou uma versao antiga, a propria janela mostra a informacao.
Por fim, a criacao de projetos foi ajustada para casos como:
faca uma calculadora basica
e os .dproj gerados passaram a resolver RTL e DCUs por:
$(BDS)\lib\$(Platform)\release
O motivo e simples: no Delphi 13, o rsvars.bat define BDS, mas nao necessariamente BDSLIB. Usar a variavel errada fazia a validacao falhar com:
F1027 unit System not found
Projetos DUnitX gerados tambem incluem $(BDS)\source\DUnitX quando necessario. O smoke de projetos gerados foi atualizado para usar as opcoes atuais do runner DUnitX.
O instalador visual virou o caminho principal
Outro ponto importante desde a 2.3.0 e a consolidacao do instalador visual como artefato principal para o usuario final.
Os ZIPs continuam uteis internamente para validacao, reproducibilidade e montagem do instalador, mas o usuario final deve baixar apenas:
RadIA-v2.6.2-Setup.exe
O instalador cobre:
- Delphi 12 Win32;
- Delphi 13 Win32;
- Delphi 13 IDE64.
Isso reduz confusao na pagina de release. Em vez de escolher entre varios pacotes, o usuario baixa o instalador e seleciona os alvos desejados.
Compatibilidade atual
A matriz atual do RadIA esta concentrada em:
| IDE | Arquitetura | Estado |
|---|---|---|
| Delphi 12 Athens | Win32 | Suportado e validado |
| Delphi 13 | Win32 | Suportado e validado |
| Delphi 13 | IDE64 | Suportado e validado |
Delphi 11 aparece apenas em registros historicos e nao faz parte da matriz atual.
O catalogo operacional permanece com 132 ferramentas registradas. Esse numero pode variar por contexto ou extensoes instaladas, mas serve como referencia da distribuicao atual.
Como instalar a versao atual
Feche todas as instancias do Delphi e acesse a pagina oficial da release:
Baixe e execute:
RadIA-v2.6.2-Setup.exe
Escolha os alvos desejados no instalador e abra a IDE novamente. A versao deve aparecer no caption das janelas principais do RadIA.
O SHA-256 do instalador publicado e:
AF5DD20BE42A3BD67287E03D3946DCC2792B26DD78A63C217436FB87868ADA50
O RadIA e open source. O codigo-fonte, os testes, a documentacao e o historico completo estao no repositorio oficial no GitHub.
Conclusao
O RadIA 2.3.0 mostrou que um agente dentro do Delphi precisa administrar contexto. A sequencia ate a 2.6.2 mostrou o proximo passo: administrar tambem execucao, ferramentas, terminal, CLIs, skills, projetos, build, testes, debugger e instalacao.
Essa evolucao muda o papel da IA na IDE.
Em vez de ser apenas uma caixa de texto que responde perguntas, o RadIA passa a se comportar como um runtime de desenvolvimento assistido: ele entende uma intencao, monta um plano, pede permissao, executa ferramentas reais, preserva evidencias e ajuda o desenvolvedor a chegar em um resultado validado.
Ainda ha muito a evoluir. Mas a direcao esta cada vez mais clara: a proxima geracao de assistentes para Delphi nao deve apenas escrever codigo. Ela precisa participar do ciclo completo de desenvolvimento, com seguranca, rastreabilidade e respeito ao ambiente do usuario.
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