
A inteligência artificial chegou à educação cercada de possibilidades, dúvidas e receios. Entre promessas de produtividade e discussões sobre os limites da tecnologia, uma pergunta continua sendo essencial: como utilizar a IA sem retirar do professor aquilo que torna seu trabalho verdadeiramente humano?
Foi a partir dessa inquietação que nasceu meu novo livro, Entre o Quadro e o Prompt: Pedagogia, autoria e inteligência artificial na prática docente.
O livro já está publicado e foi escrito para professores, coordenadores pedagógicos, gestores, formadores e estudantes de licenciatura que desejam compreender e utilizar a inteligência artificial de maneira prática, crítica e responsável.
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A tecnologia muda. A missão do professor permanece.
A inteligência artificial pode ajudar a preparar aulas, elaborar atividades, adaptar materiais, criar instrumentos de avaliação, organizar informações e reduzir parte do trabalho repetitivo presente na rotina docente.
Mas produzir um texto, uma questão ou um plano de aula não significa compreender uma turma.
Uma ferramenta não conhece, por conta própria, o contexto dos estudantes. Não percebe as dificuldades que aparecem durante uma explicação, não acompanha trajetórias individuais e não assume a responsabilidade pelas escolhas pedagógicas realizadas.
É por isso que o ponto central do livro não é a ferramenta.
É a decisão do professor.
Entre o quadro, onde a aula ganha forma, e o prompt, onde uma resposta começa a ser construída, permanece um espaço que nenhuma automação elimina. Nesse espaço estão o conhecimento da turma, a intenção pedagógica, a experiência profissional, o cuidado e a responsabilidade humana.
Um livro prático, mas não uma coleção de comandos prontos
Entre o Quadro e o Prompt não foi escrito como um catálogo de prompts para copiar e colar.
Os exemplos apresentados ao longo do livro ajudam o leitor a compreender como transformar uma necessidade real em uma orientação clara para a inteligência artificial. Mais importante do que memorizar comandos é aprender a pensar sobre o que está sendo solicitado, quais informações são necessárias e como avaliar criticamente o resultado recebido.
No livro, abordo aplicações da IA em diferentes dimensões do trabalho docente:
- planejamento de aulas;
- elaboração de atividades e materiais didáticos;
- adaptação para diferentes turmas e níveis de aprendizagem;
- criação de questões, avaliações e rubricas;
- produção de feedbacks;
- inclusão e acessibilidade;
- organização da rotina profissional;
- revisão crítica das respostas;
- privacidade e proteção de dados;
- limites éticos e responsabilidade profissional.
Os exemplos podem ser adaptados a diferentes componentes curriculares, níveis e modalidades de ensino. Não é necessário possuir formação técnica ou experiência anterior com inteligência artificial.
O Método ORQUESTRA
Um dos elementos centrais do livro é o Método ORQUESTRA, criado para ajudar o professor a estruturar pedidos mais claros, contextualizados e pedagogicamente úteis.
O método parte de uma ideia simples: um bom resultado não depende apenas da ferramenta utilizada. Depende da qualidade das decisões que orientam o pedido.
Para isso, o professor precisa pensar sobre o objetivo da atividade, o contexto da turma, as restrições existentes, o formato esperado e os critérios que serão usados para revisar a resposta.
A inteligência artificial pode colaborar com o processo, mas o professor continua sendo o responsável por conduzi-lo.
Também é preciso saber quando não usar
Falar sobre inteligência artificial na educação exige reconhecer seus limites.
Existem situações em que a ferramenta pode contribuir bastante. Em outras, seu uso precisa ser cuidadosamente limitado. Há também decisões que não devem ser delegadas.
O livro discute questões relacionadas à privacidade, aos dados pessoais, aos vieses, à acessibilidade, à autoria e à necessidade de revisão humana. A proposta não é estimular o uso da IA em todas as tarefas, mas desenvolver critérios para decidir quando, como e por que utilizá-la.
Usar uma tecnologia com responsabilidade também significa saber quando não a utilizar.
Um prefácio que atravessa a história da educação
O livro conta com prefácio escrito pela professora Seleida Maria de Paiva, que reúne mais de 35 anos de experiência em sala de aula.
Em seu texto, Seleida recorda o período em que avaliações eram escritas à mão, reproduzidas no mimeógrafo e posteriormente datilografadas. Sua reflexão mostra que, mesmo antes de receber esse nome, o prompt já estava presente no planejamento, nas perguntas, nos comandos das atividades e nas orientações elaboradas pelo professor.
As ferramentas mudaram, mas a missão permanece: ensinar, inspirar e transformar.
Essa perspectiva representa muito bem o espírito do livro. A inteligência artificial não apaga a história de quem ensinou com poucos recursos, criatividade e dedicação. Ela passa a integrar essa história como mais uma ferramenta a serviço do trabalho docente.
Menos tempo com tarefas repetitivas. Mais tempo para ensinar.
Este livro não defende a automatização da docência nem a substituição da experiência profissional.
Sua proposta é ajudar o educador a reduzir tarefas repetitivas, ampliar possibilidades e preservar mais tempo para aquilo que nenhuma ferramenta realiza sozinha: acompanhar, decidir, dialogar, ensinar e transformar.
Entre o Quadro e o Prompt é um convite para experimentar a inteligência artificial com curiosidade, mas também com critérios. Para reconhecer suas possibilidades sem ignorar seus riscos. E, principalmente, para manter o professor no lugar que sempre lhe pertenceu: o de autor das decisões pedagógicas.
Onde encontrar o livro
Entre o Quadro e o Prompt: Pedagogia, autoria e inteligência artificial na prática docente
Autor: Régys Borges da Silveira
ISBN: 978-65-02-29545-8
Edição: 1ª edição — 2026
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Espero que este livro ajude professores a utilizar a inteligência artificial com mais clareza, segurança e intencionalidade — não para ensinar menos, mas para encontrar mais tempo e melhores caminhos para ensinar.
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